Se beber não dirija. Aprecie com moderação. A venda de  bebidas alcoólicas é proibida para menores de 18 anos.

Este artigo foi publicado originalmente em https://pontospravoar.com/, de autoria de Saulo Gantes, e é reproduzido aqui com autorização. Confira:


Quem gosta de vinho sabe que uma boa vinícola vai muito além da degustação de rótulos. Ela conta histórias, preserva tradições e proporciona experiências capazes de conectar o visitante à cultura e ao território onde está inserida. E foi exatamente isso que encontramos durante nossa visita à Vinícola Guatambu, em Dom Pedrito, na Campanha Gaúcha

Eu já havia indicado a vinícola Guatambu como um dos destaques da Campanha Gaúcha e no último sábado, 13 de junho, fui conferir o tradicional Dia Épico, uma das experiências mais disputadas da vinícola, que combina tour guiado, almoço harmonizado e muita imersão na cultura do pampa gaúcho. O resultado foi um dia inesquecível, cercado por excelentes vinhos, gastronomia regional e paisagens que ajudam a explicar por que essa região vem conquistando cada vez mais espaço entre os amantes do enoturismo.

Vinícola Guatambu | Créditos: Saulo Gantes

Como chegar à Vinícola Guatambu

Nossa viagem começou na sexta-feira, saindo de Porto Alegre de carro. O percurso até Sant’Ana do Livramento leva aproximadamente cinco horas e meia, e optamos por nos hospedar na cidade pela ampla oferta de hotéis e também pela proximidade com Riveira, no Uruguai, permitindo uma rápida visita aos tradicionais free shops da fronteira.

No dia seguinte, seguimos até Dom Pedrito, município localizado na região da Campanha Gaúcha, cerca de 40 minutos da vinícola. A paisagem muda completamente ao longo do trajeto: os morros dão lugar aos campos abertos do pampa, bioma caracterizado por extensas coxilhas, vegetação rasteira e uma forte tradição pecuária, formando um cenário que traduz a identidade cultural do sul do Brasil.

A história da Vinícola Guatambu

A história da Guatambu começa muito antes da produção de vinhos. A origem remonta a 1945, quando Walter Germano Pötter chegou à região para cultivar arroz em terras arrendadas. Em 1958, adquiriu sua primeira propriedade em Dom Pedrito e fundou a Estância Guatambu, cujo nome faz referência à madeira guatambu, conhecida por sua resistência e durabilidade.

Poucos anos depois, a pecuária passou a integrar as atividades da propriedade, consolidando um sistema de integração entre lavoura e criação de animais que permanece até hoje.

Na década de 1970, Valter José Pötter assumiu a gestão da estância e investiu no aprimoramento genético do rebanho bovino. Já a terceira geração da família, representada pelas filhas de Valter José, deu início a uma nova etapa da história: em 2003 foi implantado um projeto-piloto de cultivo de uvas viníferas, que deu origem à atual vinícola.

Hoje, a Guatambu opera em um modelo de ciclo fechado, no qual todas as uvas utilizadas na produção são cultivadas na própria propriedade e todo o processo — do vinhedo à garrafa comercializada ao consumidor — acontece dentro da estância.

Enoturismo para diferentes perfis de visitantes

Além dos vinhos premiados, a Guatambu também investe fortemente no enoturismo.

Durante a semana, são oferecidos tours guiados conduzidos por enólogos, que apresentam todo o processo de produção, incluindo visita às instalações, degustação de quatro rótulos e demonstração do processo de degorgement, etapa final da produção dos espumantes pelo método tradicional.

A boutique da vinícola também oferece degustações para visitantes, mas existe uma experiência que se destaca entre todas: o Dia Épico, realizado uma vez por mês. Foi justamente essa experiência que escolhemos.

Vinícola Guatambu | Créditos: Saulo Gantes

Dia Épico: muito mais do que uma visita à vinícola

Se existe uma dica importante para quem pretende conhecer o Dia Épico, ela é simples: reserve com bastante antecedência.

Nós garantimos nossas vagas cerca de três meses antes da visita e, conversando com outros pessoas, soubemos que algumas permaneceram mais de um mês na lista de espera até conseguir uma oportunidade.

A programação começou pouco antes das 11 horas da manhã, quando fomos recebidos com café, chá, água e bolo caseiro enquanto aguardávamos o início das atividades. Aproveitamos esse momento para conhecer o belo jardim da propriedade, perfeito para apreciar a paisagem típica da Campanha Gaúcha.

Pontualmente às 11 horas, a enóloga responsável reuniu o grupo para apresentar um vídeo institucional, no qual o patriarca da família e suas filhas contam a trajetória da estância e a evolução do projeto vitivinícola.

Na sequência, iniciamos o tour pelas instalações, conhecendo detalhes sobre o cultivo das uvas, os processos de vinificação, a filosofia sustentável adotada pela empresa e diversas curiosidades sobre a produção local.

Um dos momentos mais interessantes foi a degustação de um vinho branco retirado diretamente de um dos tanques de fermentação, permitindo experimentar o produto ainda durante sua evolução.

A visita continuou pela cave de espumantes, onde acompanhamos uma demonstração do processo de degorgement, responsável pela retirada dos sedimentos e finalização das garrafas produzidas pelo método tradicional, o champenoise.

Vinícola Guatambu | Créditos: Saulo Gantes

Um almoço harmonizado que celebra o pampa gaúcho

Após o tour, seguimos para um amplo salão decorado com elementos típicos da cultura gaúcha, onde aconteceria o aguardado almoço harmonizado.

O ambiente já impressiona pela decoração, iluminação natural e clima acolhedor, enquanto uma apresentação de música tradicionalista ao vivo completa a atmosfera. O grande destaque gastronômico é a parrilla instalada ao fundo do salão, responsável por preparar carnes produzidas na própria Estância Guatambu.

A experiência começa com o chamado Check-in, composto por pães e crostini Guatambu acompanhados de cream cheese de ervas finas e manteiga com alecrim, harmonizados com o Luar do Pampa Sauvignon Blanc 2025.

Na sequência, a entrada traz uma saborosa linguicinha parrillera acompanhada de pimentões grelhados recheados com queijo provolone, servida com o Rastros do Pampa Tannat 2025.

O prato principal é um verdadeiro tributo à tradição campeira: cortes preparados na parrilla, incluindo bife de ancho, assado de tira da raça Polled Hereford e cordeiro, todos produzidos na própria estância. Os acompanhamentos incluem arroz, batatas rústicas, saladas orgânicas da horta e um inesquecível feijão campeiro, harmonizados com o premiado Épico IX, um premiado blend elaborado pela vinícola.

Para encerrar, a sobremesa apresenta uma mousse de doce de leite com nozes crocantes, acompanhada pela espumante Guatambu Brut Reserva 24 meses. Tudo é servido sem pressa, permitindo que os visitantes apreciem cada harmonização enquanto conversam, escutam música ao vivo e desfrutam do ambiente por cerca de duas horas e meia.

Uma experiência para ficar na memória

Ao término do almoço, ainda é possível permanecer nos jardins da vinícola, aproveitando o restante da tarde para degustar mais um vinho e contemplar a paisagem do pampa.

Vinícola Guatambu | Créditos: Saulo Gantes

Mais do que uma visita a uma vinícola, o Dia Épico proporciona uma verdadeira imersão na cultura da Campanha Gaúcha, valorizando a produção local, a história da família Pötter, a gastronomia regional e a tradição do campo. Para quem busca uma experiência diferenciada no Rio Grande do Sul, unindo enoturismo, boa mesa e hospitalidade, a Vinícola Guatambu certamente merece um lugar no roteiro.

Link da máteria: https://pontospravoar.com/vinicola-guatambu-experiencia-une-enoturismo-cultura-pampa-gaucho/

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